Estamos na Semana Santa, na véspera da celebração da Páscoa, principal festa da Igreja Católica Romana. Várias tradições e costumes são relembrados pela população: começa na quarta-feira de cinzas como dia de jejum, depois de um entrudo gordo, continua pela visita aos padrinhos no Domingo de Ramos e acaba no acto de beijar a cruz no Domingo de Páscoa (ou na segunda-feira seguinte, conforme as localidades).
Claro que os mais novos aproveitam as mini-férias para viajar, com a aliciante “época-baixa” conseguem-se preços apetecíveis ao bolso de qualquer um, independentemente da crise que se esteja a passar.
Curiosidade, ou não, é certo que muita gente não sabe o porquê da Páscoa ser uma celebração móvel no calendário, talvez porque nunca se questionaram, ou então nem deram por isso, por ser tão habitual. Ora Jesus Cristo morreu num dia e seria esse o feriado cristão, tal como acontece com o Seu nascimento a 25 de Dezembro… mas não! Encontrei uma explicação no famoso Wikipédia que diz o seguinte: “Na religião cristã, designa-se por Domingo de Páscoa o primeiro domingo após a primeira lua cheia ocorrida após o equinócio de Março (21 ou 22 desse mês). Assim, poderá ocorrer entre 22 de Março e 25 de Abril. (…)
Como o calendário judeu é baseado na Lua, a Páscoa cristã passa a ser móvel no calendário cristão, assim como as demais datas referentes a Páscoa, tanto na Igreja Católica como nas Igrejas Protestantes e Igrejas Ortodoxas:
A Páscoa é um feriado móvel que serve de referência para outras datas. É calculado como sendo o primeiro domingo após a lua cheia seguinte à entrada do equinócio de outono no hemisfério sul ou o equinócio de primavera no hemisfério norte, podendo ocorrer entre 22 de março e 25 de abril.
Para calcular o dia da Páscoa (domingo), usa-se a fórmula que Johann Friederich Carl Gauss propôs, cujas regras foram definidas no Concílio de Nicéia (325 d.C.). , onde o ANO deve ser introduzido com 4 dígitos. O Operador MOD é o resto da divisão. A fórmula vale para anos entre 1901 e 2099. A fórmula pode ser estendida para outros anos, alterando X e Y conforme a tabela a seguir:
faixa de anos X Y 1582 1599 22 2
1600 1699 22 2
1700 1799 23 3
1800 1899 23 4
1900 1999 24 5
2000 2099 24 5
2100 2199 24 6
2200 2299 25 7
Para anos entre 1901 e 2099:
X=24; Y=5
a = ANO MOD 19
b= ANO MOD 4
c = ANO MOD 7
d = (19 * a + X) MOD 30
e = (2 * b + 4 * c + 6 * d + Y) MOD 7
Se (d + e) > 9 então DIA = (d + e – 9) e MES = abril
senão DIA = (d + e + 22) e MES = março
Existem dois casos particulares que acontecem duas vezes por século:
Quando o domingo de Páscoa cair em abril e o dia for 26, corrige-se para uma semana antes, ou seja, vai para dia 19; Quando o domingo de Páscoa cair em abril e o dia for 25 e o termo “d” for igual a 28, simultaneamente com “a” maior que 10, então o dia é corrigido para 18. Neste século acontecerá em 2076.
Para calcular a terça-feira de Carnaval, basta subtrair 47 dias do domingo de Páscoa. Para calcular a quinta-feira de Corpus Christi, soma-se 60 dias ao domingo de Páscoa.
exemplos: Para o ano de 1997:
a=1997 MOD 19 = 2
b=1997 MOD 4 = 1
c=1997 MOD 7 = 2
d=(19 * 2 + 24) MOD 30 = 2
e=(2 * 1 + 4 * 2 + 6 * 2 + 5) MOD 7 = 6
(d + e) = 2 + 6 = 8
Logo, o domingo de Páscoa é 30/3/1997
Carnaval: 11/2/1997
Corpus Christi: 29/5/1997″
Já voltados para a dimensão religiosa, segundo a mesma fonte:
“A Páscoa (do hebraico Pessach, significando passagem) é um evento religioso cristão, normalmente considerado pelas igrejas ligadas a esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da cristandade. Na Páscoa os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo (Vitória sobre a morte) depois da sua morte por crucificação (ver Sexta-Feira Santa) que teria ocorrido nesta altura do ano em 30 ou 33 d.C. O termo pode referir-se também ao período do ano canônico que dura cerca de dois meses a partir desta data até ao Pentecostes.
Os eventos da Páscoa teriam ocorrido durante o Pessach, data em que os judeus comemoram a libertação e fuga de seu povo escravizado no Egipto.
A palavra Páscoa advém, exatamente do nome em hebraico da festa judaica à qual a Páscoa cristã está intimamente ligada, não só pelo sentido simbólico de “passagem”, comum às celebrações pagãs (passagem do inverno para a primavera) e judaicas (da escravatura no Egito para a liberdade na Terra prometida), mas também pela posição da Páscoa no calendário, segundo os cálculos que se indicam a seguir.
A última ceia partilhada por Jesus e pelos discípulos é considerada, geralmente, um “seder do pesach” – a refeição ritual que acompanha a festividade judaica, se nos atermos à cronologia proposta pelos Evangelhos sinópticos. O Evangelho de João propõe uma cronologia distinta, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe dos cordeiros do Pesach. Assim, a última ceia teria ocorrido um pouco antes desta festividade.”

E já se questionaram sobre a tradição dos ovos de Páscoa e das amêndoas??? Porque é que normalmente se associa o coelho aos ovos? Devia ser uma galinha! Aqui vai a explicação encontrada na mesma fonte:
“O hábito de dar ovos de verdade vem da tradição pagã. O hábito de trocar ovos de chocolate surgiu na França. Antes disso, eram usados ovos de galinha para celebrar a data.
A tradição de presentear com ovos – de verdade mesmo – é muito, muito antiga. Na Ucrânia, por exemplo, centenas de anos antes de era cristã já se trocavam ovos pintados com motivos de natureza – lá eles têm até nome, pêssanka – em celebração à chegada da primavera.
Os chineses e os povos do Mediterrâneo também tinham como hábito dar ovos uns aos outros para comemorar a estação do ano. Para deixá-los coloridos, cozinhavam-os com beterrabas.
Mas os ovos não eram para ser comidos. Eram apenas um presente que simbolizava o início da vida. A tradição de homenagear essa estação do ano continuou durante a Idade Média entre os povos pagãos da Europa.
Eles celebravam Ostera, a deusa da primavera, simbolizada por uma mulher que segurava um ovo em sua mão e observava um coelho, representante da fertilidade, pulando alegremente ao redor de seus pés.
Os cristãos se apropriaram da imagem do ovo para festejar a Páscoa, que celebra a ressurreição de Jesus – o Concílio de Nicéia, realizado em 325, estabeleceu o culto à data. Na época, pintavam os ovos (geralmente de galinha, gansa ou codorna) com imagens de figuras religiosas, como o próprio Jesus e sua mãe, Maria.
Na Inglaterra do século X, os ovos ficaram ainda mais sofisticados. O rei Eduardo I (900-924) costumava presentear a realeza e seus súditos com ovos banhados em ouro ou decorados com pedras preciosas na Páscoa. Não é difícil imaginar por que esse hábito não teve muito futuro.
Foram necessários mais 800 anos para que, no século XVIII, confeiteiros franceses tivessem a idéia de fazer os ovos com chocolate – iguaria que aparecera apenas dois séculos antes na Europa, vinda da então recém-descoberta América. Surgido por volta de 1500 a.C., na região do golfo do México, o chocolate era considerado sagrado pelas civilizações Maia e Asteca. A imagem do coelho apareceu na mesma época, associada à criação por causa de sua grande prole.”

Deixo-vos, agora, o cálculo das restantes festas móveis que dependem da Páscoa:
- “Terça-feira de Carnaval – quarenta e sete dias antes da Páscoa
- Quaresma – Inicia na quarta-feira de cinzas e termina no domingo de Ramos (uma semana antes da Páscoa)
- Domingo de Ramos – Celebra a entrada de Jesus em Jerusalém. Domingo anterior à Páscoa.
- Quinta-Feira Santa – Dia em que se celebra a instituição da Eucaristia por Cristo. A quinta-feira anterior à Páscoa.
- Sexta-feira Santa – Dia que relembra a morte de Cristo. Não há missas, somente uma ação litúrgica às 15:00 hs. A sexta feira anterior à Páscoa. Feriado nacional.
- Sábado Santo – Sábado de Aleluia – Sábado da Solene Vigília Pascal – o sábado de véspera.
- Ascensão do Senhor – o sexto domingo após a Páscoa.
- Pentecostes – o sétimo domingo após a Páscoa.
- Santíssma Trindade – o domingo após Pentecostes.
- Corpus Christi ou Corpo de Deus – a quinta-feira imediatamente após o domingo da Santíssima Trindade.”
Para mais informações consultar: http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1scoa